Curva ABC por Categoria: o método que muda a forma de enxergar seu portfólio

Avatar de Diogo Reis

Introdução

Toda empresa, em algum momento, se pergunta: quais produtos realmente sustentam o meu lucro?
A resposta, quase sempre, é surpreendente.
Em muitos negócios, a maioria dos produtos ocupa espaço, consome esforço e gera pouca ou nenhuma contribuição real para o resultado.

É nesse ponto que entra a Curva ABC, uma das ferramentas mais simples e poderosas de gestão empresarial.
Mas o que muita gente ainda não percebeu é que existe uma maneira mais estratégica de aplicá-la — uma forma que respeita o papel de cada grupo de produtos e traz uma visão mais inteligente sobre o portfólio.
Essa variação se chama Curva ABC por categoria.

O ponto de partida: o princípio de Pareto

O método nasce de um conceito clássico da administração: o Princípio de Pareto, também conhecido como regra 80/20.
Em resumo, ele afirma que uma pequena parte das causas é responsável pela maior parte dos efeitos.
No contexto empresarial, isso significa que uma minoria dos produtos, clientes ou ações gera a maior parte dos resultados.

A Curva ABC é uma forma prática de visualizar essa distribuição.
Ela classifica os itens de um portfólio em três grupos:

  • A: os mais importantes, que concentram a maior parte do lucro;
  • B: os intermediários, que merecem atenção;
  • C: os de menor relevância, mas que ainda têm função no mix.

Essa lógica ajuda a direcionar tempo, energia e investimento para onde realmente importa.

A limitação da Curva ABC tradicional

A análise tradicional da Curva ABC — feita sobre o conjunto total de produtos — é útil, mas incompleta.
Ela revela o peso relativo de cada item no resultado geral, mas não considera o papel estratégico das categorias dentro do portfólio.

Imagine um supermercado.
Se aplicarmos a Curva ABC apenas sobre o total de vendas, os produtos básicos — arroz, feijão, óleo, farinha — certamente aparecerão no topo.
Mas o que dizer dos produtos de limpeza, das bebidas ou da perfumaria?
Mesmo com participação menor no faturamento, essas categorias são essenciais para o cliente e para a imagem da loja.

Se a gestão for baseada apenas na Curva ABC geral, existe o risco de eliminar produtos importantes, apenas porque não aparecem entre os mais rentáveis.
É aqui que o olhar da Curva ABC por categoria faz toda a diferença.

A importância de enxergar o portfólio por categorias

A Curva ABC por categoria é uma evolução natural da análise tradicional.
Ela permite compreender a relevância de cada produto dentro do seu próprio contexto, comparando itens que desempenham papéis semelhantes.

Ao invés de classificar todos os produtos em uma única lista, a Curva ABC por categoria recria a lógica dentro de cada grupo — seja “bebidas”, “padaria”, “limpeza”, “embalagens” ou qualquer outra divisão usada pela empresa.

Com isso, surge uma visão muito mais rica e equilibrada.
Você passa a identificar:

  • Quais produtos são críticos dentro de cada categoria, mesmo que não apareçam entre os maiores do portfólio;
  • Onde há excesso de variedade com baixo retorno;
  • Quais categorias estão concentradas em poucos produtos e, portanto, mais vulneráveis;
  • E quais linhas são complementares, ajudando a formar o mix ideal para o cliente.

Essa leitura amplia o poder de decisão.
Ela deixa de ser apenas uma fotografia numérica e se transforma em uma ferramenta de gestão estratégica de portfólio.

Da operação à estratégia

A Curva ABC por categoria não serve apenas para ajustar estoques ou reduzir itens.
Ela ajuda a definir prioridades comerciais, políticas de precificação e investimentos em comunicação e trade marketing.

Com ela, é possível perceber que:

  • Um produto de margem modesta pode ser essencial para a atração de clientes;
  • Itens da curva A de determinadas categorias devem ter abastecimento garantido e reposição ágil;
  • Produtos classificados como C, mas relevantes para o sortimento, precisam de gestão diferenciada, talvez com lotes menores, pedidos sob demanda ou exposição limitada;
  • Categorias inteiras podem ser revistas para encontrar o ponto de equilíbrio entre variedade e rentabilidade.

Essa abordagem é especialmente valiosa para empresas com grande quantidade de SKUs, como indústrias de alimentos, distribuidores, redes de varejo e negócios que trabalham com múltiplas linhas.

Equilíbrio entre margem e sortimento

Toda decisão de portfólio envolve um dilema: simplificar para ganhar eficiência ou ampliar para atender o cliente.
A Curva ABC por categoria ajuda a encontrar o ponto de equilíbrio entre esses dois polos.

Ao mesmo tempo em que identifica produtos de alta contribuição, ela revela gaps de mix que comprometem a experiência de compra ou a imagem da marca.
O resultado é um portfólio mais racional, mas também mais coerente e competitivo.

Como interpretar na prática

Mais do que números, a Curva ABC por categoria deve ser interpretada como um mapa de decisões.
Ela indica onde estão os produtos que sustentam o negócio, mas também aponta quais são os “coadjuvantes estratégicos” — aqueles que não geram tanto lucro individualmente, mas mantêm a estrutura do portfólio de pé.

Essa distinção é o que separa a análise operacional da visão estratégica.
Gestores que compreendem o papel de cada categoria conseguem reduzir custos, preservar relevância e fortalecer o posicionamento da marca ao mesmo tempo.

Em resumo

A Curva ABC por categoria oferece três grandes ganhos para a gestão empresarial:

  1. Clareza — mostra onde estão os produtos que realmente sustentam o resultado;
  2. Equilíbrio — evita cortes precipitados e ajuda a manter o mix coerente;
  3. Foco — direciona esforços comerciais, logísticos e financeiros para o que mais importa.

É uma ferramenta simples, mas com impacto profundo quando usada com propósito.
Mais do que descobrir quais produtos vendem mais, ela revela quais produtos fazem sentido — e isso muda completamente a forma de pensar o negócio.


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