Introdução
Toda empresa, em algum momento, se pergunta: quais produtos realmente sustentam o meu lucro?
A resposta, quase sempre, é surpreendente.
Em muitos negócios, a maioria dos produtos ocupa espaço, consome esforço e gera pouca ou nenhuma contribuição real para o resultado.
É nesse ponto que entra a Curva ABC, uma das ferramentas mais simples e poderosas de gestão empresarial.
Mas o que muita gente ainda não percebeu é que existe uma maneira mais estratégica de aplicá-la — uma forma que respeita o papel de cada grupo de produtos e traz uma visão mais inteligente sobre o portfólio.
Essa variação se chama Curva ABC por categoria.
O ponto de partida: o princípio de Pareto
O método nasce de um conceito clássico da administração: o Princípio de Pareto, também conhecido como regra 80/20.
Em resumo, ele afirma que uma pequena parte das causas é responsável pela maior parte dos efeitos.
No contexto empresarial, isso significa que uma minoria dos produtos, clientes ou ações gera a maior parte dos resultados.
A Curva ABC é uma forma prática de visualizar essa distribuição.
Ela classifica os itens de um portfólio em três grupos:
- A: os mais importantes, que concentram a maior parte do lucro;
- B: os intermediários, que merecem atenção;
- C: os de menor relevância, mas que ainda têm função no mix.
Essa lógica ajuda a direcionar tempo, energia e investimento para onde realmente importa.
A limitação da Curva ABC tradicional
A análise tradicional da Curva ABC — feita sobre o conjunto total de produtos — é útil, mas incompleta.
Ela revela o peso relativo de cada item no resultado geral, mas não considera o papel estratégico das categorias dentro do portfólio.
Imagine um supermercado.
Se aplicarmos a Curva ABC apenas sobre o total de vendas, os produtos básicos — arroz, feijão, óleo, farinha — certamente aparecerão no topo.
Mas o que dizer dos produtos de limpeza, das bebidas ou da perfumaria?
Mesmo com participação menor no faturamento, essas categorias são essenciais para o cliente e para a imagem da loja.
Se a gestão for baseada apenas na Curva ABC geral, existe o risco de eliminar produtos importantes, apenas porque não aparecem entre os mais rentáveis.
É aqui que o olhar da Curva ABC por categoria faz toda a diferença.
A importância de enxergar o portfólio por categorias
A Curva ABC por categoria é uma evolução natural da análise tradicional.
Ela permite compreender a relevância de cada produto dentro do seu próprio contexto, comparando itens que desempenham papéis semelhantes.
Ao invés de classificar todos os produtos em uma única lista, a Curva ABC por categoria recria a lógica dentro de cada grupo — seja “bebidas”, “padaria”, “limpeza”, “embalagens” ou qualquer outra divisão usada pela empresa.
Com isso, surge uma visão muito mais rica e equilibrada.
Você passa a identificar:
- Quais produtos são críticos dentro de cada categoria, mesmo que não apareçam entre os maiores do portfólio;
- Onde há excesso de variedade com baixo retorno;
- Quais categorias estão concentradas em poucos produtos e, portanto, mais vulneráveis;
- E quais linhas são complementares, ajudando a formar o mix ideal para o cliente.
Essa leitura amplia o poder de decisão.
Ela deixa de ser apenas uma fotografia numérica e se transforma em uma ferramenta de gestão estratégica de portfólio.
Da operação à estratégia
A Curva ABC por categoria não serve apenas para ajustar estoques ou reduzir itens.
Ela ajuda a definir prioridades comerciais, políticas de precificação e investimentos em comunicação e trade marketing.
Com ela, é possível perceber que:
- Um produto de margem modesta pode ser essencial para a atração de clientes;
- Itens da curva A de determinadas categorias devem ter abastecimento garantido e reposição ágil;
- Produtos classificados como C, mas relevantes para o sortimento, precisam de gestão diferenciada, talvez com lotes menores, pedidos sob demanda ou exposição limitada;
- Categorias inteiras podem ser revistas para encontrar o ponto de equilíbrio entre variedade e rentabilidade.
Essa abordagem é especialmente valiosa para empresas com grande quantidade de SKUs, como indústrias de alimentos, distribuidores, redes de varejo e negócios que trabalham com múltiplas linhas.
Equilíbrio entre margem e sortimento
Toda decisão de portfólio envolve um dilema: simplificar para ganhar eficiência ou ampliar para atender o cliente.
A Curva ABC por categoria ajuda a encontrar o ponto de equilíbrio entre esses dois polos.
Ao mesmo tempo em que identifica produtos de alta contribuição, ela revela gaps de mix que comprometem a experiência de compra ou a imagem da marca.
O resultado é um portfólio mais racional, mas também mais coerente e competitivo.
Como interpretar na prática
Mais do que números, a Curva ABC por categoria deve ser interpretada como um mapa de decisões.
Ela indica onde estão os produtos que sustentam o negócio, mas também aponta quais são os “coadjuvantes estratégicos” — aqueles que não geram tanto lucro individualmente, mas mantêm a estrutura do portfólio de pé.
Essa distinção é o que separa a análise operacional da visão estratégica.
Gestores que compreendem o papel de cada categoria conseguem reduzir custos, preservar relevância e fortalecer o posicionamento da marca ao mesmo tempo.
Em resumo
A Curva ABC por categoria oferece três grandes ganhos para a gestão empresarial:
- Clareza — mostra onde estão os produtos que realmente sustentam o resultado;
- Equilíbrio — evita cortes precipitados e ajuda a manter o mix coerente;
- Foco — direciona esforços comerciais, logísticos e financeiros para o que mais importa.
É uma ferramenta simples, mas com impacto profundo quando usada com propósito.
Mais do que descobrir quais produtos vendem mais, ela revela quais produtos fazem sentido — e isso muda completamente a forma de pensar o negócio.
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